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Ficheiro Setembro 2008

O Alvo da Vida

15 set 2008

 
Havia, num bosque isolado, uma bonita violeta que vivia satisfeita com suas companheiras. Certa manhã, ergueu a cabeça e viu uma rosa que se balançava por cima dela, radiante e orgulhosa.

A violeta gemeu: Que pouca sorte eu tenho entre as flores! Que destino humilde o meu! Vivo colada à terra e não posso erguer a face para o sol, como fazem as rosas...

A Natureza ouviu e disse: “Que te aconteceu, filhinha? Apoderaram-se de ti as ambições vãs?”

Suplico-te, Mãe Poderosa (disse a violeta): “Transforma-me numa rosa, por um dia só que seja”.

Não sabes o que estás pedindo, respondeu a Natureza. Ignoras o que se esconde de infortúnios por trás das grandezas aparentes?

Transforma-me numa rosa, por um dia só que seja, e aceitarei todas as conseqüências das minhas aspirações e dos meus desejos.

A Natureza estendeu sua mão mágica ...

...e a violeta tornou-se uma rosa suntuosa.

Na tarde daquele mesmo dia, o céu escureceu, e o vento e a chuva devastaram o bosque. As árvores e as roseiras foram abatidas. Só as humildes violetas escaparam ao massacre.

E uma delas, olhando à sua volta, gritou às companheiras: Olhem e vejam o que a tempestade fez das grandes plantas que se erguem com orgulho e impertinência!

Disse uma outra: Vivemos coladas à terra, mas escapamos da fúria dos furacões.

Uma segunda disse: Somos pequenas e humildes; mas as tempestades nada podem contra nós.

A rainha das violetas viu, também, a rosa que tinha sido violeta estendida por terra, como morta, e disse: “Vejam e meditem, minhas filhas, sobre o destino da violeta que as ambições embriagaram. Que sua infelicidade lhes sirva de exemplo”.

Ouvindo estas palavras, a rosa agonizante se agitou e disse, com voz entrecortada: “Escutai antes, vós, ignorantes, medíocres, covardes. Ontem eu era como vós, humilde e satisfeita, mas a satisfação que me protegia, TAMBÉM ME LIMITAVA”. Podia continuar a viver como vocês, colada à terra, até que o inverno me envolvesse na sua neve e me levasse ao silencio eterno, sem conhecer os segredos e as glórias desta vida mais do que as inúmeras gerações de violetas, desde que elas existem. Mas escutei no silencio da noite e ouvi o mundo superior dizer a este mundo: - O alvo da vida é alcançar o que há além da vida. Pedi, então à Natureza – que nada é senão a materialização dos nossos sonhos invisíveis – que me transformasse em rosa.

E a Natureza atendeu ao meu desejo.
Vivi uma hora como rosa.
Vivi uma hora como rainha.
Vi o mundo com os olhos das rosas.
Ouvi a melodia do éter com os ouvidos das rosas.
Acariciei a luz com as pétalas das rosas.
Pode alguma de vós gabar-se desta honra?

Morro, sabendo o que há por trás dos horizontes estreitos onde nasci.

ESTE É  O ALVO DA VIDA.

Escultura

15 set 2008

 
Toque a midia para ouvir o poema

Dois povos, um destino - by Arlete Pietade Projeto Cultural ABRALI - Declamado por Roberto Oliveira -
www.mundopoeta.net/fadadasletras


~Escultura~


Como uma escultura delicada
Colocaste em minhas mãos...
Tua solidão... fragilidade...
Voltaste á minha vida...
Para saciares tua necessidade...

Como um sedento de amor...
Faminto de afecto e carinho...
Vieste á minha presença...
Procurando teu caminho

Como delicada escultura...
Ainda por terminar...
Qual cera ou vidro quente...
Para eu moldar...

 Serei a artesã...
talvez a artista...
Mas tenho tanto medo...

Que a frágil escultura
Em minhas mãos...
Não resista...

Arlete Piedade (Portugal) & Roberto Oliveira (Brasil)

Tag: escultura
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